Passageiros relatam pânico e descaso após pane em lancha que ficou a deriva durante viagem de Parintins para Manaus
O que era para ser uma viagem de retorno tranquila após o Festival Folclórico de Parintins se transformou em uma experiência traumática para dezenas de passageiros da lancha Rio Negro, que seguia da ilha Tupinambarana para Manaus na madrugada deste domingo (29). O trajeto, que deveria durar cerca de 8 horas, se estendeu por quase 15 horas, após a embarcação enfrentar duas graves panes mecânicas e ficar à deriva no meio do Rio Amazonas.
A bordo estavam profissionais, turistas e moradores que haviam participado do festival. Um dos passageiros, o jornalista Edivan Farias, detalhou os momentos de desespero vividos por quem tinha compromissos em Manaus ou voos marcados para outras partes do Brasil.
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“Nós saímos de Parintins por volta de 5 horas da manhã, de sábado para domingo, porque as pessoas que estavam nessa viagem tinham compromisso em Manaus e uma outra parte do Brasil, por isso optaram por esse transporte. Algumas pessoas perderam voo internacional, para São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belém e etc. Se as pessoas pagaram a lancha é porque realmente elas tinham outros compromissos, elas precisavam chegar mais cedo em Manaus. Agora, o tratamento que nós tivemos da empresa Rio Negro foi ruim. Nós fomos tratados muito mal por eles, eles que sequer estavam nem aí, a gente ficou sem diesel, isso é uma vergonha, cara, isso é falta de administração”, relatou Edivan ao Portal AM POST.
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Segundo ele, a primeira pane aconteceu pouco depois de Itacoatiara, quando a lancha simplesmente ficou sem combustível. A embarcação ficou parada por cerca de 7 horas, encostada na margem do rio. A revolta entre os passageiros cresceu à medida que a falta de informações se agravava.
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“O tratamento da empresa foi vergonhoso. Faltou diesel, isso é inadmissível. Isso é falta de administração. As pessoas estavam aflitas, desesperadas. O mínimo que esperávamos era respeito e transparência”, criticou.
A passageira Laila Alencar também descreveu o clima de angústia e abandono a bordo. “Ficamos sabendo que era falta de combustível só depois de quase uma hora com a lancha parada. Essa ausência de informações precisas só aumentou o caos. Era um sentimento de insegurança, incerteza”, disse ela.
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Segundo os relatos, foi apenas por iniciativa de um dos tripulantes que os passageiros receberam um gesto de apoio: “Com muita luta, o rapaz fez café e distribuiu pão com queijo. Foi o único cuidado naquele momento difícil”, contou Edivan.
Quando o abastecimento foi finalmente concluído, a lancha seguiu viagem. Mas a tranquilidade durou pouco. Já próximo de Manaus, o leme quebrou, e a embarcação ficou novamente à deriva por cerca de duas horas, até que uma lancha menor realizou o resgate final.
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“A falta de transparência, colaborou muito para o caos e desespero. Mas, graças a Deus, já está tudo bem. As providências cabíveis serão inevitáveis, né? Foram muitos prejuízos de diversas ordens. Mas eu acho que agora é hora da gente concentrar em resolver, agradecer que está todo mundo bem e se organizar para resolver isso da melhor maneira possível, porque, enfim, são inúmeros os danos“, desabafou Laila.
Os passageiros já falam em ações legais contra a empresa Rio Negro Transportes, que, até o momento, não se pronunciou publicamente sobre o ocorrido.
Fonte: AM POST. Leia mais em https://ampost.com.br/amazonas/passageiros-relatam-panico-e-descaso-apos-pane-em-lancha-que-ficou-a-deriva-durante-viagem-de-parintins-para-manaus/
