Veículos de comunicação são usados para denegrir a imagem das pessoas que não são do mesmo grupo político.

Entre denúncias e disputas políticas, o trabalho também pode incomodar

Histórico político do Amazonas mostra como acusações e ataques podem ganhar força em períodos eleitorais, principalmente contra políticos que mantêm atuação próxima da população.

Em ano eleitoral, a política do Amazonas volta a conviver com uma velha estratégia: transformar denúncias, acusações e processos em instrumentos de desgaste político. O fenômeno não é novo e já marcou episódios importantes da história recente do Estado.

Um dos casos mais emblemáticos foi o do ex-deputado estadual Wallace Souza. Em 2009, o parlamentar foi alvo de graves acusações criminais, negou as denúncias e afirmou que estava sendo vítima de um complô. O caso ganhou enorme repercussão nacional e terminou com a cassação de seu mandato pela Assembleia Legislativa.

Outro nome que também passou por momentos de forte exposição política foi o vereador Bual, em meio a investigações e questionamentos envolvendo sua atuação política.

Independentemente das diferenças entre cada caso, existe um ponto que chama atenção: políticos que têm presença nas ruas, trabalham diretamente com a população e conquistam espaço político também acabam se tornando alvos de disputas e ataques.

É justamente nesse ambiente que surge agora o caso do vereador Dione Carvalho, que também passou a enfrentar intensa exposição política às vésperas das eleições.

Denúncia não é condenação. Investigação não é sentença. E processo judicial não significa culpa comprovada.

Dione responde a uma ação penal relacionada a acusações apresentadas pelo Ministério Público. O processo está em andamento e, juridicamente, responder a uma ação não significa ter sido condenado.

Essa diferença é fundamental.

Mas existe também uma questão política que não pode ser ignorada.

Dione construiu sua atuação justamente com uma forte presença junto às comunidades. É um político que circula pelos bairros, recebe demandas, participa de ações e procura dar resposta a problemas que muitas vezes chegam à população antes mesmo de uma solução efetiva por parte do poder público.

E, na política, quem trabalha, aparece e conquista espaço naturalmente incomoda.

Quanto maior a presença de um político junto à população, maior também pode ser a disputa em torno de sua imagem. Em período eleitoral, essa disputa se intensifica e as narrativas passam a ter um peso ainda maior.

Foi assim em diferentes momentos da política amazonense: acusações e denúncias acabaram ocupando o centro do debate e, muitas vezes, passaram a ser utilizadas politicamente para enfraquecer adversários.

No caso de Dione Carvalho, seus apoiadores afirmam que o vereador vem sendo submetido a uma forte ofensiva política justamente em um momento eleitoral delicado.

A discussão, portanto, não deveria ser apenas sobre quem acusa ou quem defende.

Deveria ser também sobre quem apresenta provas, quem responde perante a Justiça e quem está disposto a deixar que o processo siga seu caminho dentro do devido processo legal.

O eleitor tem o direito de conhecer as acusações, mas também tem o direito de conhecer o outro lado, acompanhar o trabalho realizado e tirar suas próprias conclusões.

Em tempos de redes sociais e eleições cada vez mais polarizadas, transformar uma acusação em condenação antes da decisão judicial pode se tornar uma poderosa ferramenta de desgaste político.

E talvez essa seja uma das principais lições dos episódios que já marcaram a política amazonense: quanto mais um político trabalha, ganha visibilidade e conquista espaço junto à população, maior pode ser o incômodo de quem disputa esse mesmo espaço.

No fim, cabe ao eleitor separar fato de narrativa, acusação de condenação e disputa política de decisão judicial.

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